Pesquisa da Datafolha indica que o número de brasileiros com acesso à web é quase o dobro do que indicam as estatísticas que normalmente citamos. Isso muda muita coisa.



A F/Nazca fez uma pesquisa realizada pelo Datafolha sobre os hábitos de divulgação de conteúdos pessoais na internet. Mas a cereja da pesquisa acabou sendo outra coisa. O número de brazuquetas internautas é o dobro do que se acreditava.

São quase cinqüenta milhões de brasileiros acima de 16 anos na web. Podemos concluir com outras pesquisas (o que não é tecnicamente correto) que o número total (todas as idades) passa de 60 milhões.

E agora José? O penúltimo bastião caiu. A web não tem poucos usuários. A web não tem pouca penetração na classe C.

Quem tinha alguma desculpa para não investir mais na web precisará ser criativo e inventar outra desculpa. Os 33 milhões, número de outros institutos, não era pouco, principalmente se levasse em conta que cerca de 56 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza.

Frente à população total, o número 33 ainda segurava uma boa desculpa em qualquer conversa de bar. Aliás, em conversa de bar eu sempre digo que - segundo o IBGE - o Brasil tem 11 milhões de deficientes visuais. Claro que muitos acessam a internet e muitos não são completamente cegos, mas no calor da conversa ninguém lembra disso.

Cinqüenta ou sessenta, é um tapa na cara. Mas não pára por aí.

E agora, José? O último bastião caiu. Temos 38% de penetração na classe C.

Muitos já suspeitavam dos números, até porque algo não batia. Quando se olhava o número de usuários ativos no MSN ou números de acesso à internet banking, os 33 milhões de usuários se mostravam um número muito conservador.

Como tive acesso à pesquisa antes, vocês não podem imaginar a vontade que eu estava de gritar isso aqui. Mas esperei a pesquisa ser divulgada para poder escrever sobre o assunto. Fecho aqui com o grito que estava engasgado.

SOMOS 60 MILHÕES! QUASE 40% DE PENETRAÇÃO NA CLASSE C!

Muitos clientes preferem poupar a diferença entre contratar um designer competente e um operador de software para criar gráficos e ilustrações. Em muitos casos é uma decisão errada.
Por Caroline Fülep

Nos últimos meses ouvi questionamentos sobre o motivo pelo qual deveria ser contratado um designer. Para nossos ouvidos é uma pergunta que parece já ter vinda ao mundo respondida e justificada.

Não existe esta dúvida para quem já conhece o poder de um bom projeto de design. Mas não é bem assim fora da nossa estilosa redoma de cristal colorido.

Para todos os outros, é comum a confusão entre designer e alguém que sabe operar softwares gráficos. Os computadores estão aí, para quem quiser experimentar, assim como os lápis de cor, as tintas, os grafites. Ferramentas que se vestem do repertório de quem as opera.

Esta é a hora de exercitar alguns fundamentos do design. Desmembrar esta resposta é tarefa do designer que sabe muito bem o que é capaz de fazer.

Para personificar um produto/serviço

Uma lata com um rótulo prateado, letras finas e manuscritas, pode lembrar uma bebida light (devido às letras suaves) e sofisticada (pela cor da prata). Um rótulo preto com texto azul em caixa alta pode indicar um produto energético e resistente, devido aos elementos fortes e associados à vida noturna. Um logotipo de cimento com excesso de entreletras pode passar a impressão de um produto frágil, que não une como deveria.

O design tem como objetivo falar com o público na língua que ele entende. Alguém precisa apresentar quem é aquele produto e dizer o que ele faz de melhor.

Para criar identidade

Quando uma empresa contrata um designer para fazer um site, não está pagando por meia dúzia de desenhos ou pelo tratamento de fotografias. Paga pela construção de uma imagem neste meio de comunicação. Se a empresa deseja transmitir tecnologia, tradição ou simplicidade, é baseado nisto que o designer vai começar a trabalhar.

Diferente de muitos serviços, o design gráfico costuma ser um trabalho único, pensado exclusivamente para aquele cliente em cima das suas reais necessidades de comunicação.

Para passar credibilidade

Se o principal jornal do país adotasse tipologia divertida para reportar a crise no Oriente Médio, a notícia teria certamente outro impacto. Não seria levada à sério.

Para equilibrar técnica e estética

Designer não é nem um técnico, nem um artista. É ele que equilibra estas duas áreas para atender algum objetivo, geralmente comercial.

Para inspirar confiança


Um banco que apresenta seus extratos desorganizados e logotipo sem padrão nas suas aplicações pode estar dizendo que guarda assim o dinheiro de seus clientes. Um designer pode fazer da apresentação de um banco um exemplo de segurança ou apresentar uma amostra gratuita de desorganização.

Para agregar valor

Alguns bombons de uma conhecida doceria não teriam o mesmo valor se viessem embalados em simples saquinhos plásticos sem rótulo. Se eles têm qualidade e tradição, precisam ter tratamento à altura na embalagem. O mesmo vale para produtos desconhecidos que ainda precisam ser testados. Uma apresentação de qualidade seduz qualquer consumidor ávido por novidades.

Para facilitar a vida

Já reparou como é simples chegar em algum lugar quando há placas indicando o caminho? Sinalização bem feita usa a tipologia com a melhor leitura à distância em cores que contrastam com o ambiente. O mesmo vale para as embalagens que facilitam o uso do produto, como os refrigerantes que aposentaram há muito tempo o abridor de garrafas.

Para vender

Se um projeto de design é capaz de atender a todos os itens anteriores, vender é só uma conseqüência. Um produto, uma solução, uma idéia. Um bom designer serve, entre tantos outros motivos, para realizar o mais íntimo desejo da sociedade do consumo.
Este artigo é direcionado para aquele anunciante ou agência que ainda tem dúvidas se deve ou não investir em estratégias de busca.


Quantas vezes você consulta o Google atrás de informações profissionais ou pessoais? Pois é, você não é o único a fazer isso: somente em julho de 2007 Google e Yahoo receberam mais de um bilhão de consultas no Brasil, número esse 67% superior ao do início do ano.

Estatísticas do Comitê Gestor da Internet Brasileira mostram que a penetração do sites de busca entre os usuários de internet ultrapassa 70%.

Nos EUA, as campanhas em sites de busca já respondem por 41% dos investimentos em publicidade online, que no total movimenta mais de 16 bilhões de dólares.

Segundo o IbopeNet/Ratings, a categoria “ferramentas de busca” tem um alcance de 86,96% entre os usuários brasileiros.

No Brasil, o mercado de mídia online chegou a 361 milhões em 2006 e no primeiro semestre de 2007 cresceu 40% em relação ao ano anterior. Os investimentos em sites de busca somente passaram a ser contabilizados agora, o que significa que o bolo online é maior que o apurado e irá crescer ainda mais com a entrada deste “dinheiro novo”.

Após ler esses números acho que fica clara a importância de sua empresa ter em uma estratégia de atuação nos sites de busca, não apenas para fins de marketing e vendas, mas também de relações públicas, já que todos consultam a web em busca de informações de fornecedores, empresas, parceiros, funcionários, etc. Se você não estiver bem posicionado - seja através de uma campanha de links patrocinados ou nos chamados resultados naturais (aquele que o site encontra “espontaneamente” baseado em seus algoritmos matemáticos) com certeza estará perdendo oportunidades.

Mas a Busca hoje vai muito além da exibição de uma listagem de sites: além dos buscadores especializados ou “verticais” (ex. Buscapé para preços e ofertas, YouTube para vídeos, Technorati para blogs), agora os próprios sites de busca “genéricos” ou “horizontais”, como Google e Yahoo, incorporaram em sua página de resultados notícias, fotos e vídeos, mapas, etc. Por isso, é cada vez mais necessária uma estratégia mais ampla de otimização.

John Batelle escreveu em seu livro “A Busca” que os sites de busca são um “banco de dados de intenções”. Um exemplo fácil de entender: se a temperatura em São Paulo sobe, a busca por ar-condicionado aumenta; o contrário acontece quando as temperaturas baixam. Ou seja, os fatos do dia-a-dia influenciam diretamente o comportamento das pessoas na internet e daí a importância de uma presença relevante nos sites de busca.

Assim, quando sua empresa lançar uma nova campanha na televisão é importante disponibilizar o mesmo conteúdo online, já que assistir vídeo é uma das atividades primordiais dos consumidores na web (além da busca, claro). Além disso, será possível potencializar a exposição desse comercial oferecendo ferramentas de compartilhamento (tipo “indique a um amigo”), criando assim o chamado “marketing viral”.

Há também os blogs e as redes sociais, onde as pessoas estão falando sobre produtos, pessoas e empresas; por isso é importante monitorar o que está sendo dito sobre sua empresa lá. O Yahoo tem um modelo de busca chamado Yahoo Respostas, onde milhões de pessoas interagem com perguntas e respostas sobre os mais diversos assuntos. Será que estão falando sobre sua empresa lá? E os sites de notícias, que não usam editores humanos, mas sim “robôs”, como Google News e Yahoo News: seu press-release foi criado de forma a ser facilmente indexado por esses sites? Ele está disponível no site de sua empresa?

Rob Garner, Senior Strategic Planner da agência iCrossing, escreveu o que considero um dos mais interessantes artigos que li nos últimos meses e nele ressalta a importância de garantir destaque para seus comerciais de TV também na internet, tendo em mente o fenômeno YouTube e a massificação do consumo de vídeos através da web. Segundo ele, se você não tiver uma estratégia específica, você corre o risco de ver seu comercial não ser encontrado em uma busca pelo nome da sua empresa e perder uma excelente oportunidade para fazer sua marca ecoar no mundo online. Ou, pior ainda, a página de resultados pode trazer uma paródia no lugar de seu vídeo “oficial”, que pode ser prejudicial à sua campanha.

Reproduzo aqui as quatro dicas que Garner dá para otimizar seu comercial de TV e ganhar destaque nos sites de busca:

Garanta os direitos autorais para veiculação online antes de começar a campanha.
Seja o primeiro a publicar seu próprio comercial na web.
Ao disponibilizar o vídeo online, faça otimização das palavras-chave mais relevantes para garantir a indexação pelos sites de busca.
Disponibilize seu comercial em diversos sites (exemplos: YouTube, Google Video, MySpace, Yahoo Video)
Garanta visibilidade ao seu comercial (e sua marca) através de SEO (otimização para busca natural) e links patrocinados.
Uma recente pesquisa mostra que campanhas offline e online (baseadas em banners e “rich media”) são grandes geradoras de tráfego para sites de busca. Por isso, combine essas ações com uma forte presença de sua marca nos mecanismos de busca e você terá uma estratégia imbatível.
Não adianta o profissional SEO usar um repertório de truques para artificialmente destacar um site. A idéia é deixá-lo útil e importante para o público que procura o conteúdo que o site possui.
Por Ivo Saldanha


Muitas pessoas podem pensar que SEO é uma prática antiética e trapaceira, uma tentativa de manipulação dos resultados da busca. De fato isso acontece porque alguns SEOs têm essa mentalidade. Porém, a otimização não deve ser tratada como uma prática desonesta.

Para quebrar essa mentalidade, devemos entender claramente a função dos mecanismos de busca. Assim, a otimização será mais aceita pelos empresários e o marketing em buscadores dará um grande passo.

Primeiramente, devemos ter em mente que a web é construída por um grande número de usuários e cada um deve zelar pela funcionalidade e pelo bem-estar dela. É uma comunidade global.

Mecanismos de busca são instrumentos que organizam o que foi construído. São instrumentos criados para beneficiar os usuários da rede, para servir e trazer conforto a essa comunidade.

Os mecanismos de busca foram criados para que os usuários pudessem encontrar documentos relevantes sobre um determinado assunto na internet.

Por que a exibição dos resultados é ordenada por relevância e não por outra ordem qualquer, como a alfabética? Porque os usuários perdem certo tempo para passar de uma página de resultados para outra e porque o número de documentos encontrados é muito grande. A ordenação por relevância é a mais adequada porque o usuário precisa de muito tempo para olhar documento a documento.

Resumindo: a função dos buscadores é servir o usuário, mostrando o resultado mais relevante em primeiro lugar, para que ele ganhe conforto e rapidez e encontre logo a informação desejada. Do contrário o serviço de buscas não seria tão útil. Nunca devemos nos esquecer de que a internet deve ser centrada no usuário.

Se um site não consegue atendê-lo, é logo descartado. Quando o usuário não encontra o que quer no primeiro resultado, ele sai e procura no segundo resultado e assim sucessivamente. Portanto, para os sites não basta conseguir o primeiro lugar a todo custo se não possuem o conteúdo procurado.

O que é otimização
Também é necessário entender o que é otimização. O que significa otimizar? É deixar algo no estado ótimo, no ponto ideal. É tirar o que atrapalha, o que é desnecessário, e acrescentar o que é preciso. É não deixar nada importante faltando, é deixar usável.

Então, o que é otimização de sites para buscadores? É a união dessas três idéias. É fazer com que um site mereça o primeiro lugar, é torná-lo relevante e extremamente útil ao usuário. Como membro da comunidade global que é a web, o profissional SEO deve colaborar com os buscadores e ser responsável pela manutenção dos resultados. É como se esse profissional fosse um bibliotecário.

Então entendemos o que é SEO: é a otimização geral de um site, é a colaboração para o serviço dos buscadores.

No próximo texto continuaremos abordando as conseqüências de diferentes mentalidades encontrada no profissional de otimização de buscadores – quando ele atua como inimigo dos mecanismos de busca e quando o profissional SEO é amigo desses mecanismos.
Para quem se interessa em pesquisas sobre o ambiente WEB, segue abaixo um resumo da 4ª edição da pesquisa que a WBI Brasil realiza sobre a preferência dos cliques nas pesquisas feitas nos mecanimos de busca.

Resultados espontâneos lideram cliques nas pesquisas em mecanismos de busca.
Pesquisa da WBI Brasil mostra que 100% dos usuários da Internet usam mecanismos de busca e os resultados espontâneos ganham disparado dos links patrocinados na preferência dos cliques.

Do universo pesquisado, 60% clica nos três primeiros resultados da busca, enquanto 80% não vão para a segunda página dos resultados.
Os usuários também preferem os resultados espontâneos em lugar dos links
patrocinados.

Os dados completos e os gráficos da pesquisa podem ser acessados neste aqui.



Contribuição: Vanda Araújo - imprensa@wbibrasil.com.br

– Quero uma coisa nova, diferente de tudo o que já existe por ai!, diz o cliente. E prossegue: – Meu site precisa ter uma animação na abertura, com uma música bem legal de fundo. E arremata: - Mas tem que ser clean!


Longe dos grandes centros, as empresas e profissionais desenvolvedores de sites e outras soluções para a web que atuam no interior, em mercados menos desenvolvidos, convivem com um dilema: o que fazer quando um cliente faz questão de um determinado recurso que está longe de ser tecnicamente correto e pode causar sérios danos à usabilidade ou acessibilidade no resultado final?

Nos mercados mais desenvolvidos há muito maior consciência sobre as boas práticas de desenvolvimento e mais confiança do cliente em quem está desenvolvendo seu website, o que para nós significa mais liberdade para utilizar as técnicas e recursos mais indicados para cada caso.

Longe desta realidade, no interior, é comum lidar com investimentos menores e clientes menos esclarecidos sobre as formas corretas de se desenvolver um site ou de utilizar a internet em sua estratégia de comunicação.

Temos que lidar, por parte de alguns clientes, com uma certa falta de confiança e descabida prepotência, que os faz imaginar que são capazes de dizer eles mesmos quais recursos devem ser aplicados em seus sites, as tecnologias a serem utilizadas, o melhor formato, a melhor cor, a melhor fonte, a melhor linguagem.

Em um projeto interativo é importante a participação do cliente em todo o processo, oferecendo as informações corretas e ajudando a tomar as decisões, inclusive quanto a design e recursos tecnológicos. Contudo, quando as opiniões iniciais e irrefletidas destes clientes são incorporadas ao projeto logo no briefing, sem qualquer crivo, as conseqüências podem ser trágicas.

Não é nada produtivo caminhar para uma queda de braço entre o cliente, que conhece seu negócio melhor do que ninguém e acredita que por isso é o único que pode dizer quais as soluções mais adequadas para sua necessidade e o desenvolvedor, profundo conhecedor da mídia internet, suas características tecnológicas e suas vertentes sócio-culturais.

Antes de optar por desenvolver seu website, os clientes navegam pela internet. Acessam sites e mais sites, dos mais diferentes tipos, de concorrentes ou não, institucionais ou funcionais, jornalísticos ou blogs, portais ou comunidades online, e acabam trazendo desta experiência certos preconceitos em relação às práticas que observa.

Ao navegar, o cliente colhe alguns recursos, algumas características dos sites que acessa e, de alguma forma, passa a desejar ver estes mesmos recursos em seu site, mesmo que sejam completamente incompatíveis com suas necessidades e os objetivos do projeto.

Aí começa o dilema do desenvolvedor. O discurso no momento da contratação ou do briefing pode ser assim:

– Quero uma coisa nova, diferente de tudo o que já existe por ai! – diz o cliente.

Contudo, junto com este desejo pelo novo, vêm algumas recomendações:

– Meu site precisa ter uma animação na abertura, com uma música bem legal de fundo.

Então, além de todo esforço de prospecção e conquista deste cliente, temos que nos preocupar também em orientá-lo, em conscientizá-lo sobre a inadequação de algumas soluções no contexto em que se pretende aplicá-las. Ou seja, logo no início de nossa relação temos que dizer ao nosso cliente que ele não tem razão. Que o melhor para o seu projeto seria outro tipo de recurso ou outro tipo de design.

Mas ele continua:

– Tudo bem, mas tem que ser clean!!!

E continua também nosso calvário. Temos que apresentá-lo aos padrões de desenvolvimento, à usabilidade, à acessibilidade, à indexabilidade e uma série de outros conceitos que para ele não fazem o menor sentido, já que sua expectativa apenas girava em torno de certo impacto visual.

Solução para esta situação? Só consigo pensar em duas:

1. Persistência em educar nossos mercados em relação às melhores práticas de desenvolvimento, as mudanças que todos os dias acontecem na internet e o significado de novas tendências e novas formas de comunicação e expressão.

2. A velha sabedoria popular: o cliente sempre tem razão (mesmo quando na verdade não tem). Mesmo que seja preciso procurar esta razão lá no fundo, nas entrelinhas de suas recomendações. Comercialmente, um bom jogo de cintura na hora de explicar o motivo da não adoção de algumas recomendações é sempre um bom caminho. Afinal, um site bem planejado e bem desenvolvido trará bons resultados, o que não deixará dúvidas quanto às escolhas que foram feitas.
O registro de domínio oferecido junto à criação do website pode fazer parte de um pacote de serviços de webdesigners e produtoras. Mas são atividades distintas que implicam em responsabilidades que não se confundem. Veja como proceder.

registro de domínio que costuma ser oferecido concomitantemente à criação do website (O que não deve faltar no contrato com o cliente). Nada impede que se queira oferecer um amplo pacote de serviços, especialmente se isso significa uma maior vinculação do cliente a sua empresa.

Contudo, não pode passar desapercebido, que são atividades distintas que implicam em responsabilidades próprias que não se confundem.

A aquisição de um domínio não está vinculada à criação de website, exceto pela função social que deve exercer o domínio, posto que não se presta exclusivamente à especulação, antes deve ter utilidade àquele que o requer.

A lei, no que diz respeito à inserção na web, ao contrário de alguns tipos de negócios jurídicos, não exige o cumprimento de nenhuma formalidade — como na aquisição de um imóvel, em que se deve proceder ao registro no cartório imobiliário competente, ou na constituição de empresa, em que se requer o arquivamento de seus atos constitutivos na Junta Comercial do Estado.

Se o endereço na web não está vinculado a nenhum subdomínio — como por exemplo www.wrodrigues.adv.br/subdomínio — a única formalidade a ser cumprida diz respeito ao registro de domínio; afinal não digitamos uma seqüência numérica (IP) em busca de um endereço na web, mas sim buscamos textualmente por aquilo que procuramos.

E é exatamente porque procuramos textualmente por aquilo que nos interessa que o registro de domínio requer alguma atenção.

Vejamos: por se tratar de palavra ou texto, é certo que não deve ser confundido com nenhum nome comercial ou, o que é pior, com marca registrada no INPI.

Por isso mesmo já deu para perceber que se você proceder ao registro de um domínio para seu cliente, deve assegurar-se de não colocá-lo em situação que o comprometa legalmente em relação ao mercado, causando confusão entre marcas ou nomes comerciais de outras empresas ou organizações.

Apenas a título de exemplo, sempre lembro de um caso em que dois sócios de duas empresas diferentes passaram meses trocando farpas por e-mail quando descobriram que possuíam registros de domínios muito parecidos, apenas com uma sílaba de diferença e que disputavam, por uma questão de fluxo na internet, um terceiro domínio que estava disponível, também muito parecido com seus domínios originais.

A princípio, ambos pensaram se tratar de má-fé, e de que a outra empresa havia adquirido o registro de domínio para cedê-lo por preço abusivo posteriormente.

Com o tempo, foram percebendo que estavam a debater-se por um erro que nunca seria sanado fora do Judiciário, e o que é pior, não sem mover ação contra o INPI, já que ambas as empresas haviam feito corretamente pedido de registro para a mesma marca junto ao órgão, que publicou um dos pedidos de marca com incorreção, gerando a confusão, já que a empresa que fez o requerimento por último não tinha em nenhuma de suas buscas qualquer resultado que a impedisse de obter tal marca.

O detalhe: as duas empresas teriam que demandar suas perdas no Rio de Janeiro, sede do INPI, sendo que suas sedes ficavam em outro estado.

Dentro das regras do bom senso, entenderam ambos os sócios que melhor seria encontrar um meio termo. Assim, a empresa mais nova no mercado e que por último requereu o registro de marca ganhou um ano e meio de prazo para adequar-se a um novo nome comercial, marca e domínio, sem sofrer nenhum tipo de constrangimento por parte da outra empresa, inclusive com direcionamento do fluxo de seus clientes na internet durante esse período.

Aí eu pergunto: se seu cliente tivesse perdido judicialmente tal domínio e marca, contra quem ele iria demandar, contra o INPI ou contra você?

Um roteiro para a sua segurança
Diante disso, certamente fica a pergunta: como proceder a esse registro com segurança?

Bem, aí vão algumas dicas:

Primeiro, procure fazer uma busca prévia dos demais domínios já registrados para o mesmo texto que seu cliente pretende, mesmo em outros níveis de domínios (.adv, .pro, .org, etc) no Brasil e no exterior (.com ou .net). Afinal, seu cliente tem o direito de saber com quem eventualmente dividirá o fluxo de usuários quando ocorrerem erros de digitação dos internautas.

Segundo, faça uma busca prévia de nomes comerciais na Junta Comercial do Estado e no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas, para saber se trata-se de algum nome comercial já existente no mercado.

Terceiro, proceda à busca junto ao INPI para saber se o texto ou palavra pretendida não se trata de nenhuma marca já registrada, visto que dispõe o § 1º do art.º 1º da Resolução nº.: 02/2005 do Comitê Gestor Internet que “constitui-se em obrigação e responsabilidade exclusivas do requerente a escolha adequada do nome do domínio a que ele se candidata. O requerente declarar-se-á ciente de que não poderá ser escolhido nome que desrespeite a legislação em vigor, que induza terceiros a erro, que viole direitos de terceiros, que represente conceitos predefinidos na rede Internet, que represente palavras de baixo calão ou abusivas, que simbolize siglas de Estados, Ministérios, dentre outras vedações”.

Assim, entende-se por desrespeito à legislação em vigor, dentre outras práticas, a violação à marca de terceiro, nos termos dos incisos IV e V do art.195 da Lei de Propriedade Industrial, o qual dispõe:

Art.195 - “Comete crime de concorrência desleal quem:
(…)
IV – usa expressão ou sinal de propaganda alheios, ou os imita, de modo a criar confusão entre os produtos ou estabelecimentos;
V – usa, indevidamente, nome comercial, título de estabelecimento ou insígnia alheios (…)”

Ou seja, sendo a marca o sinal distintivo usado para distinguir produto ou serviço, o uso indevido de marca registrada constitui crime nos termos do artigo 195 da Lei de Propriedade Industrial, não parecendo razoável que se proceda ao registro desse mesmo nome como sendo de domínio.

Afinal, isso seria colocar seu cliente em situação de desvantagem ao invés de proporcionar a ele uma boa experiência em sua inserção na web.

De qualquer maneira, a questão da escolha e do registro do domínio deve ser amplamente discutida com o cliente visando delimitar e dividir eventuais responsabilidades pelo registro.

Por fim, a última dica é anexar todas as buscas efetuadas ao contrato com o cliente, junto com um termo de ciência quanto às diligências efetuadas. Isso, para salvaguardar sua empresa de desagradáveis surpresas, pois elas podem efetivamente ocorrer.

Fica aí o alerta e algumas dicas. Por isso, quando oferecer um pacotão, incluindo registro e criação, diferencie bem um do outro no contrato, anexe as diligências efetuadas e um termo de ciência de seu cliente. Tenho certeza de que ele se sentirá mais seguro de sua transparência e você também, não é?

Abraços
O que deve conter um contrato entre o produtor do site e seu cliente? Ao montar os seus, veja aqui os dez itens mais importantes a serem considerados e avalie se estão bem atendidos.


Devem constar do contrato o orçamento e proposta inicial, a responsabilidade quanto à hospedagem, a posse das senhas de acesso ao servidor de hospedagem, a aproximação da vontade real do cliente e a questão do prazo para execução dos trabalhos.

Agora vamos tratar, também em linhas gerais, dos cinco tópicos restantes que completam os principais itens a serem cuidadosamente observados nesse tipo de contratação.

6. O pagamento
Muitos profissionais sofrem com a inadimplência de clientes e perguntam-se como receber pelo trabalho desenvolvido. Não enfrentam situação muito diferente da maioria daqueles que se dispõem ao desenvolvimento de qualquer atividade. Faz parte do risco de qualquer negócio.

Contudo, é certo que um contrato bem elaborado e com garantias minimiza esses riscos e apresenta-se como um instrumento a mais a facilitar a execução pelo inadimplemento da outra parte.

7. O registro de domínio
Muitos profissionais afeitos com as questões que envolvem a internet, ao oferecer seus serviços de criação de website incluem o registro de domínio.

Entretanto, vale lembrar que são atividades distintas. O registro é geralmente executado por empresas de marcas de patentes e/ou advogados habituados às questões que envolvem o direito concorrencial.

Contudo, nada impede que qualquer pessoa requeira um registro de nome de domínio.

Assim, é recomendável que se anexe ao contrato de criação as pesquisas realizadas nos órgãos competentes acerca de outros nomes de domínio semelhantes requeridos, de marcas registradas ou com pedido de depósito efetuado, bem como de nomes comerciais de empresas.

Afinal, se fizer parte do pacote na criação do website o registro do nome de domínio, poderá haver responsabilidade quanto a eventual situação de concorrência desleal em que for colocado o cliente.

8. Uso de imagens de banco e dados devidamente registradas
Às vezes o profissional de criação possui banco de imagens próprio, utilizando essas criações nos sites que desenvolve, o que merece as seguintes considerações: a) essas imagens devem ser registradas e b) deve-se determinar as condições para o uso dessas imagens em sites, folders, material promocional, etc.

Em outras situações, essas imagens pertencem a terceiros a sua utilização depende de autorizações que devem integrar o negócio. Afinal, você não quer que seu cliente seja demandado por ter em seu website imagens que nem ele mesmo imaginava que não poderiam estar ali, não é?

9. Inserção de link
O cliente não está obrigado a aceitar a inserção de link para o produtor em seu website, mas deve constar – como se fosse uma assinatura – a titularidade da criação. São os famosos “powered by” encontrados na maioria dos sites, os quais fazem referência ao autor da obra criada, nos termos do que dispõe o art.24, inciso II da Lei sobre direitos autorais.

Por outro lado, é interessante que essa assinatura esteja ligada através de link ao website da agência ou do profissional de criação, afinal, isso gera um fluxo maior de clientes, sendo interessante que esteja previsto em contrato de maneira a evitar-se conflito futuro.

10. Exibição em portfolio
A exibição do website criado em portfolio da agência ou do profissional também é outro ponto a ser elucidado junto ao cliente. Quanto à maneira de apresentação: se em eventos fechados específicos para área de atuação da agência de criação ou webdesigner; se em impressos ou apenas na internet.

Não se trata apenas do trabalho desenvolvido pelo profissional, mas também de que maneira quer ser apresentada aquela empresa perante o público, inclusive quando a criação disser respeito a conteúdo específico de intranet.

Novamente, abraço a todos e até a próxima, quando falaremos sobre a aproximação da vontade real do cliente.