Por Rafael Takano


Mercado de SEO paga bem e tem vagas, mas faltam profissionais

Carência de profissionais qualificados inflaciona salários e cria boa oportunidade para quem quer iniciar uma carreira.


Recentes, mas nem tanto, as vagas relacionadas à Otimização de Mecanismos de Busca - SEO (Search Engine Optimization) – sofrem carência de profissionais. Com pouca bibliografia e falta de cursos eficientes, os poucos e disputados profissionais de SEO podem começar recebendo salários de 4.500 reais, mesmo antes de formados.


As ferramentas de busca são grandes responsáveis por direcionar o público para sites, e quanto melhor posicionado estiver o site, maior (e melhor) será o trânsito de visitantes. Especialistas dizem que 40% dos cliques vêm de links patrocinados, e que os outros 60% são decorrentes da busca orgânica, que é o resultado “gratuito” que as ferramentas exibem. Muitas empresas brasileiras encontram no Search Engine Marketing (SEM) uma forma de gerar resultados a longo prazo.

Para melhorar o posicionamento de um site nos resultados de uma busca, há o SEO, que aumenta a relevância dos sites alterando a estrutura da página. Entretanto, não há profissionais suficientes para atender a demanda do mercado. Segundo Mirko Mayeroff, diretor de novos negócios da WebTraffic, o mercado só tende a aumentar, uma vez que “90% dos sites não são otimizados, mas vão ter que se otimizar em breve”.

“Antes a gente tinha que vender os serviços de SEO para as empresas, hoje elas vêm até nós procurando por um projeto específico para SEO. Isso mostra um amadurecimento do mercado”, diz Willie Taminato, gerente de planejamento da agência Mídia Digital. “Há 3 anos, a agência só tinha um responsável por SEO. A demanda cresceu tanto que eles tiveram que criar uma equipe só para isso. Na época eu era gerente de projetos e tinha algum conhecimento em arquitetura da informação e gestão de projetos e acabei aprendendo tudo por lá” conta ele.

Aprendizado na prática

Thiago Bacchin, Chief Executive Officer (CEO) da Cadastra, empresa especializada em marketing em sites de busca, e vice-presidente do Comitê SEM da IAB Brasil, diz que é difícil contratar profissionais com experiência. “Nós preferimos formar os profissionais aqui”, diz Bacchin. Ele diz que a maior parte dos candidatos tem um background de programação. “O perfil do profissional de SEO é o de um técnico com conhecimento avançado em html e médio em css, php, Java”.

Mesmo quem não tiver um perfil tão técnico pode ter uma boa oportunidade. Segundo Willie, as vagas se estendem para estudantes de comunicação, em especial de Publicidade e Jornalismo. “Muitas vezes o perfil do técnico não tem visão de negócio, o que pode prejudicar a implementação do projeto”, afirma ele.

Na avaliação do executivo da Mídia Digital, as universidades estão defasadas na área digital. “Os cursos de publicidade deveriam incluir mais assuntos digitais. Os estagiários acabam conhecendo SEO só quando já estão dentro da agência”, conta Willie.

Atualização constante

Fábio Ricotta, fundador da MestreSEO, diz que os cursos existentes na área servem para “apresentar o básico, explicar o que é SEO, mas não dá para ensinar como se faz”. Segundo Bacchin, “os cursos de 1 ou 2 dias não conseguem ensinar, e mesmo que conseguissem, se o profissional não continuar estudando por conta própria, em 6 meses está fora do mercado”, e complementa, “essa área exige um alto nível de atualização”.

A forma mais recomendada para aprender e se manter atualizado em SEO é estudar por blogs e fóruns, principalmente dos Estados Unidos e Inglaterra. “A bibliografia com qualidade no Brasil ainda é pequena, são apenas dois ou três autores”, diz Thiago Bacchin. “O mercado no exterior está um ano e meio à frente do nosso, por isso é importante continuar monitorando as mudanças do algoritmo e ficar de olho nas tendências desses mercados”, afirma Willie Taminato. “Por isso é importante o conhecimento da língua inglesa”.


Perfil Digital

Outras recomendações para ganhar pontos na hora de entrar no mercado, são a familiaridade com meios digitais. “Uma coisa que pode ajudar é ter noções em programação Web e Webdesign”, diz Fábio. Mas isso não significa que essa seja uma exigência do mercado. Willie Taminato diz que ao entrevistar um estagiário pergunta “quantos amigos tem no Orkut, quantos contatos tem no MSN, se escreve para algum blog, tem Flickr, sobe vídeos no Youtube”. “Uma das tarefas no processo é a construção de um blog e sugestões para divulgá-lo. Assim podemos analisar a criatividade do candidato, desde a escolha do tema, até as formas que ele vai usar para divulgar o site”, conta ele.

Fabio Ricotta conta como descobre se candidato tem o primordial para o emprego: “A primeira pergunta que eu faço antes de qualquer outra coisa é: Tem vontade de aprender?”, e complementa: “essa profissão exige um reaprender constante. É cativante exatamente por isso, é dinâmica, o que você sabe hoje pode não servir amanhã”.


A recompensa

E não fica tão difícil ter vontade de aprender quando a recompensa não é só ponto positivo na média final. Na estimativa de Thiago Bacchin, os salários de SEO estão avaliados entre 4.500 reais, para profissionais ainda sem diploma de graduação, e 7.000 reais para os já formados.

“É um valor alto para um analista, mas o mercado de internet em geral é inflacionado. Não tem como saber o que é o ‘normal’. O salário é situacional. O parâmetro do mercado hoje é x, e amanhã pode ser x+1” acrescenta Willie, ao considerar o salário médio de 5.000 reais para um analista de SEO.